domingo, 5 de junho de 2011

só pra você

Joaninha,

Querida, veja que voltei com tudo. Duas cartinhas no mesmo dia. Voltei ao mundo. Mas é que me pareceu bobo não escrever algo só pra você. 
Acho que estou me sentindo melhor mesmo. Revelei em mim certas forças, e cortei certas flores do meu jardim. Ganhei nova morada. Preenchi o buraquinho que carregava no lado esquerdo. Sinto-me inusitada. Nunca me ocorri assim. Acho que tenho sido leve. E você? 
Vocês me deram o troco muito bem! Nenhum bilhetinho sequer. Timotinho nem mesmo apareceu. Fato que fiquei triste. Já disse que sou egoísta, e esperava que não fizessem comigo o silêncio que fiz com vocês. Mas...
Estão perdoados. Acreditem.
Sinto falta de lhe encontrar na feira. E do seu olhar que suaviza o meu peso. Sinto sua falta. 
Quando nos veremos?
Será que precisaremos de um longo tempo para embarulhar esse silêncio todo que causamos? Espero que não.
Fale algo de você querida. Fale qualquer besteira. Qualquer uma será como obra prima do meu palco sentimental.

Beijos da sua...

desacreditei, acredite!

Timotinho,

Veja bem, minha ausência absoluta foi questão de desespero. Timotinho, creia você ou não, eu desacreditei no ser humano. Tolice a minha, disseram-me. Mas o fato é que pra mim, poucas pessoas ainda valem à pena. O resto faz parte dessa massa corpulenta que anda pelas calçadas, empinando o esboço de alma que esqueceram de continuar!

Beijos da sua, ainda, Tartaruguinha!

terça-feira, 26 de outubro de 2010

rosa

Timotinho, comprei uma saia rosa. Pretendo experimentá-la na feira de sábado. 
Agora imagine você, que minha alma todinha, inteirou-se do rosa da saia. Bem que você havia me dito, que minha alma possuía uma estranheza estranha. Ela suga as cores das coisas. Ela toma pra sí o que pode não ser seu.

Tartaruguinha!

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

sem teto

Joaninha,

Minha querida, ando tão atarantada, que veja você, nem assinei meu último bilhete para Timotinho. Imagino como ele deve ter tomado isso por uma falta imensa. Que absurdo mesmo. Nem me preocupei em destacar as letras maiúsculas. A verdade é que fui tomada por uma pressa irritante. E me consumí nela. Hoje querida, estou sem pressa alguma, e pude notar que não lhe endereço nada há algum tempo. Mais uma falha dessa minha alma imperfeita. É por isso que lhe escrevo, apenas para dizer que estou estranha, um tanto fora de mim. É como se tivesse perdido a minha noção de casa, o meu canto mais íntimo e querido nesta vida. Algum elo entre eu e meu lar se rompeu, fruto da falta de acolhimento que me foi encaminhada. Eu tenho duas soluções: ou continuo assim como estou, e veja que nem é uma forma de protesto, é apenas tristeza e desilusão legítima; ou entro no jogo, assumo a sem teto, e finjo que nada não passou de uma simples terça feira. O que me sugeres?

Beijos da sua atarantada Tartaruguinha!

terça-feira, 7 de setembro de 2010

dia inútil

dia sete de setembro Timotinho. um dia inútil, já que feriados são como domingos. sabe que só agora entendi essa coisa de utilidade e desutilidade dos dias? curioso pensar no dia em que o feriado cair na segunda feira, fazendo com que a pobrezinha deixe de ser útil, e passe a ser uma inutilidade bem no começo da vida de toda gente.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

feliz aniversário

Timotinho,

Decidí que hoje é seu aniversário. Não me pergunte porquê. Apenas aceite. Aceite o bolo de glacê branco com confeitos multicores que lhe enviei pelo correio. Aceite também os chapeuzinhos e toda a bugiganga que em surto me vi obrigada a comprar. Apague as luzes da casa, acenda as velinhas e bata palmas fortemente. Faça seu pedido e seja muito feliz. Depois deixe o fogo seguir seu curso. Que eu lhe escolhi para ser do sígno de virgem. Combina mais com você. Aceite que para sua amiguinha intransigente aqui, é hoje o dia do seu novo ano acontecer.

Beijos da sua Tartaruga!

ps: o presente lhe dou em abraços, assim que for possível!!!

quarta-feira, 30 de junho de 2010

voltei

Delicinhas,

Com timidez, eu mando esse sinal de vida! Estou viva, vivíssima. Pior foi não ter esquecido de vocês. A verdade é que lembreio-os cada segundo da minha existência, mas não mandei carta, nem telegrama, nem mesmo telefonei. Guardei minha saudade, meu amor, minha vontade na caixinha da falta de tempo. Mentira, é que andei consumindo todos os meus segundos comigo, numa atitude egoísta de salvação - da minha alma!
Não tenho perdão. Mas relevem, porque o amor que carrego dentro, é tão grande, que reconstrói tudo de novo!

Da sua Tartaruguinha!